O JIPE DE CADA UM

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Um adágio comum no meio jipeiro diz que “um jeep não se compra, se constrói”, o que pode ser facilmente comprovado num simples e qualquer encontro ou evento 4×4. Nestes anos nos quais tenho me inserido ativamente no nosso mundo do jeep a diversidade das marcas, dos carros e de estilos somente centuplicou o fenômeno. Primeiro foram os Willys, tanto o Jeep propriamente dito como também a Rural, lá pelo início dos anos 1990, quando se formou o Jeep Clube Minas Gerais, já nas suas várias versões e com quase três décadas de fabricação no Brasil, sem falar nos importados do pós guerra e, paralelamente, nos Land Rover, fruto de um curto período de importação desta marca. Estes permitiram e ainda permitem, as mais variadas combinações, estilos, arranjos e “looks” derivados da inegável e imensa criatividade dos jipeiros e de seus mecânicos e construtores. Exibem particularidades tais que fica em cada carro gravada indelevelmente a “marca do dono”, aquele detalhe específico e único, seja na lataria, seja nas “alegorias e adereços”, seja na parte mecânica, nos acessórios, nos dispositivos de proteção. Literalmente carros com “assinatura”.

Os Engesa 4, que pintaram como magníficos exemplares do jeep clássico em meados dos 1980, até hoje propiciam ampla gama de alterações, embora já muito reduzidos em número.

A chegada dos importados, num primeiro momento Suzukis e Nivas, somente “catapultou” as possibilidades. Basta uma olhada nas fotos de 10 ou 12 anos atrás, que todos temos guardadas com todo carinho e se tem um retrospecto dos avanços na área, na mudança de estilo, na evolução natural de materiais e componentes. Mais recentemente, Land Rovers, Trollers, Mitsubishi , Marruás e outras marcas contribuem para que a criatividade, que resulta no “jipe de cada um”, não conheça limites.

Afinal, sendo jipeiro de coração, quem de nós, num momento em que estão reunidos os colegas que exibem orgulhosamente suas criações, não vai dar uma corrida de olhos nos Jipes, apenas para conhecer as novidades? É quase uma profissão de fé, algo que vem do fundo da alma. Não se trata de gostar ou não, já que há profundo respeito pelas manias de cada um, mas de uma curiosidade quase infantil, gostosa de sentir.

O jipe de cada um é isto, é o seu, só o seu, comparado com os demais. Se ganha ou não é irrelevante, nada está em jogo ou em disputa, o que vale mesmo é a certeza de que seu carro vai te levar para onde você quiser, pelo mundo afora.

Publicado Por: Gutierrez Lhamas Coelho